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cronicas de personalidades
A realidade vai estar em análise debaixo da lupa de personalidades conhecidas e respeitadas.
À sexta-feira prova-se que a economia está em todo o lado.


Paulo Pedro
Encontar as oportunidades!

Os actuais dias que vivemos apresentam uma elevada incerteza económica, financeira e social, quer em Portugal, quer nos diversos países da Europa, e com impacto directo e significativo noutras economias aparentemente "sólidas" noutros continentes.

No entanto, esta crise, actualmente reconhecida mundialmente, tem um aspecto muito positivo: obriga-nos a escolher qual o melhor caminho a percorrer no futuro, quer individual, quer empresarialmente, e a analisar de que forma devemos ser mais competitivos, mais produtivos, mais responsáveis, ou seja, mais profissionais.

A formação universitária deve ser encarada como um período de tempo investido para que os estudantes se prepararem para o mercado de trabalho, através do ganho directo de conhecimento e experiência adquiridos, e simultaneamente, tenham a possibilidade de reflectir sobre as diversas saídas profissionais oferecidas pelo curso que frequentam. Este "tempo" disponível é também importante para existir preparação para as diferentes exigências dos mercados de trabalho internacionais (por exemplo, o simples domínio de uma língua pode ser feito com formação complementar).

A escolha acertada no trabalho a realizar no futura é muito importante porque os níveis elevados de motivação e empenho no trabalho são resultado, na maioria dos casos de sucesso, da satisfação e realização pessoal nos projectos envolvidos que conduzem à superação dos próprios limites. Cabe a cada um escolher o seu caminho.

Hoje, mais do que nunca, deve-se conhecer quais são os projectos/sonhos profissionais que garantam a satisfação pessoal (consequentemente empresarial) e lutar por eles para que o sucesso seja alcançado. Para tal, o investimento na formação de qualidade é um factor muito importante para atingir esse objectivo.

O actual cenário de crise "oferece" mais tempo para encontrar e escolher os próximos passos a seguir, para tomar decisões mais acertadas, para encontrar outras oportunidades que em tempos de estabilidade económica não eram opção, para seguir os próprios sonhos e não os de terceiros, enfim ser mais eficaz, mais selectivo e produtivo nas escolhas a tomar.

A existência de novas culturas, novos países, novas experiências profissionais, novos métodos de trabalho, novas metodologias de organização, novos mercados de trabalho, são hoje os grandes desafios e grandes oportunidades impostas pela crise que todos, mas em particular os estudantes, têm de encontrar e de alcançar com sucesso.

Contudo, para traçar este caminho de procura é necessário querer procurar, é necessário ser dinâmico ou adquirir uma cultura dinâmica porque, hoje, os desafios profissionais continuam a existir (seja no mercado nacional seja no internacional), mas existe uma grande diferença: é preciso encontrar as oportunidades!

10 de Fevereiro de 2012


Luiz Carval
O regresso ao futuro de um primo emigrante.

Cresci a ouvir falar dos meus primos da Beira-Alta que tinham partido para França à procura de uma outra vida. E ouvia da minha avó Laurinda a história dos meus pais quando tiveram de ser emigrantes no seu país, ao aventurarem-se desde a aldeia até Lisboa, onde a vida era dura mas retribuía com algumas recompensas.

Os meus primos "franceses" regressavam no saudoso mês de Agosto. Eu lá estava de férias na aldeia, e o meu primo Sérgio que trabalhava na construção civil em Paris, descrevia-me então a vida dos franceses como um oásis de liberdade, bem-estar e de libertinagem sexual.
O Maio de 68 que eu primeiro conheci foi-me descrito por ele. Tinha lá estado em directo, no Boulevard Saint-Michel, a ver carros a arder e as pedras dos passeios a voarem. As primeiras ideias sobre liberdade sexual surgiram-me da sua boca quando me descrevia como os parisienses gostavam de trocar de casais ou como o Bois de Boulogne era uma peregrinação diária para almas vagabundas.

A França do meu primo Sérgio fascinava-me pelo cosmopolitismo, em oposição à minha puberdade cinzenta e triste de um Portugal que gritava pelo Eusébio, chorava com a Amália e ajoelhava-se aos pés da Nossa Senhora. E eu lá ia cantando, e marchando, nos saraus da Mocidade Portuguesa, num Liceu Padre António Vieira a geminar miúdos que agora são, muitos deles, protagonistas na vida portuguesa.

Já adulto, em 1975, acabei por visitar esse meu primo em Paris. Dormi mesmo no seu quarto que dividia com mais uns quantos camaradas. Tudo ao molho. Ali dormiam, comiam, tudo faziam, nesse quarto não muito longe da Gare du Nord. Então pude ver, desencantado, como era uma ilusão o que o Sérgio me tinha vendido ao longo dos anos, nas "vacanças" de Agosto.
Afinal, a Paris dos emigrantes era demasiado dura para ser cosmopolita, a liberdade muito condicionada à condição de se ser estrangeiro e o devaneio onírico só praticável para quem tivesse francos de sobra e uma mente aberta; só possível numa classe média lá para o alto.


Paris por Luiz Carvalho Paris por Luiz Carvalho
Paris nos anos 80. Burguesa no Boulevard Saint-Michel e emigrante português a ler A Bola.
Fotos de Luiz Carvalho

Claro que o Mundo mudou, ou os tempos mudaram atrás do Mundo.

Não sei se hoje o meu pai poderia ser em Lisboa como foi: um competente carpinteiro e estudar à noite; e se a minha mãe conseguiria um posto de porteira num prédio de Alvalade. Mesmo esquecendo horários, pontes e feriados, direitos e regalias. E mais 30 minutos por dia.

Sei que Portugal mudou na forma, mas muito menos no conteúdo.

Hoje é o primeiro-ministro que aconselha a emigração.
Não para Paris, que se tornou o refúgio de políticos desencantados.
Mas para África, onde a mão de obra intelectual é necessária quanto baste, e onde a política é gerida a batuque, sem o menor respeito pelos valores da democracia.

Se o meu primo Sérgio viesse no próximo Agosto de férias, regressado de Luanda, não sei se me encantaria com a mesma intensidade sonhadora, com os seus relatos.

E daí nunca se sabe... A Primavera acabará por lá chegar um destes dias. Sonho eu.

30 de Dezembro de 2011


Um Portugal de pequeninos.

Portugal é uma Nação adorável. Tem boa gente que povoa uma paisagem comovente em diversidade e História. Temos uma língua rica e um coração bom.
Mas como País somos uma lástima.
Viver e trabalhar neste extremo europeu torna-se muitas vezes, demasiadas, uma tarefa dolorosa e frustrante.

Estamos nesta crise real que partiu de uma crise virtual, quando há 8 anos caiu a ponte de Entre-os Rios e o país entrou num luto e desalento que não acordam.
Foi ali, naquele instante decisivo, trágico, que o país entrou num ciclo de inferno, maldição, como se tivesse sido o próprio país a ser levado pela enxurrada. E foi.

Mas o inferno tinha começado no passado.
Vivemos à conta de fundos europeus durante um bom tempo e nem conseguimos com essa chuva de dinheiro transformar o país numa sociedade produtiva e com alcance para o futuro. A banca emprestou para imobiliário e negou crédito a empresas que queriam criar valor acrescentado. Os particulares empenharam-se a comprar casas e carros com crédito barato e o Estado iniciou uma vida de desvario em obras públicas para os partidos ganharem votos e para os amigos ganharem empreitadas.

O comodismo instalou-se. E a incompetência, claro-
Várias vezes ao dia vejo-me confrontado com esta realidade: ninguém tem pressa em fazer nada, ninguém quer tomar uma decisão, todos adiam para a semana o que podiam fazer hoje. Para semana passou a querer dizer nunca, como aquelas mulheres que adiam um encontro indesejável.

Há uma apatia total.

Os portugueses acham que estão em crise mas que para o ano acabará por aparecer um milagre, um Salazar ou um Cavaco dos anos oitenta para lhes devolver o poder de compra no centro comercial, manter o empregozinho à secretária onde passam a maior parte do tempo entre o facebook, um cigarro cá fora ou um café no bar que fica uns andares abaixo, naqueles dias chatos entre feriados, pontes e férias sem fim.

As empresas passaram a usar a manha de não pagarem a horas, mesmo aquelas que têm negócio e mesmo aquelas que continuam a facturar. São todos demasiado importantes para terem de pagar contas ou para se estarem a maçar com gente que lhes quer fazer propostas que podiam aumentar o negócio.

Claro que chegámos aqui porque politicamente permitimos que uma cultura de facilitismo e de marketing substituísse a ideologia, fosse ela de direita ou de esquerda. Pura e simplesmente deixámos de pensar em ideologia, em princípios, objectivos. Deixámos de ter desígnios e projectos. Caminhamos sem metas, nem fins. Apenas queremos meios para atingirmos caprichos, modismos.

Um país deprimido, sem ânimo. Sem vontade. Sem pica.

16 de Dezembro de 2011


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